Esse aí é Cabra-ômi!!!

14 11 2007

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Odilon de Oliveira, de 56 anos, estende o colchonete no piso frio da sala,
puxa o edredom e prepara-se para dormir ali mesmo, no chão, sob a vigilância
de sete agentes federais fortemente armados.
Oliveira é juiz federal em Ponta Porã, cidade de Mato Grosso do Sul na
fronteira com o Paraguai e, jurado de morte pelo crime organizado, está
morando no fórum da cidade. Só sai quando extremamente necessário, sob forte
escolta.

Em um ano, o juiz condenou 114 traficantes a penas, somadas, de 919 anos e 6
meses de cadeia, e ainda confiscou seus bens. Como os que pôs atrás das

grades, ele perdeu a liberdade. “A única diferença é que tenho a chave da
minha prisão.”

09dbddc3-8c9f-48f3-a15a-3c79178d232f_mapa-ponta.JPGTraficantes brasileiros que agem no Paraguai se dispõem a pagar US$ 300 mil
para vê-lo morto. Desde junho do ano passado, quando o juiz assumiu a vara
de Ponta Porã, porta de entrada da cocaína e da maconha distribuídas em
grande parte do País, as organizações criminosas tiveram muitas baixas.

Nos últimos 12 meses, sua vara foi a que mais condenou traficantes no País.
Oliveira confiscou ainda 12 fazendas, num total de 12.832 hectares, 3
mansões - uma, em Ponta Porã, avaliada em R$ 5,8 milhões - 3 apartamentos, 3
casas, dezenas de veículos e 3 aviões, tudo comprado com dinheiro das
drogas.

Por meio de telefonemas, cartas anônimas e avisos mandados por presos,
Oliveira soube que estavam dispostos a comprar sua morte. “Os agentes
descobriram planos para me matar, inicialmente com oferta de US$100 mil.”

No dia 26 de junho, o jornal paraguaio Lá Nación informou que a cotação do
juiz no mercado do crime encomendado havia subido para US$ 300 mil. “Estou
valorizado”, brincou. Ele recebeu um carro com blindagem para tiros de fuzil
AR-15 e passou a andar escoltado.

Para preservar a família, mudou-se para o quartel do Exército e em seguida
para um hotel. Há duas semanas, decidiu transformar o prédio do Fórum
Federal em casa. “No hotel, a escolta chamava muito a atenção e dava despesa
para a PF.”

É o único caso de juiz que vive confinado no Brasil. A sala de despachos de
Oliveira virou quarto de dormir. No armário de madeira, antes abarr otado de
processos, estão colchonete, roupas de cama e objetos de uso pessoal.

O banheiro privativo ganhou chuveiro. A família - mulher, filho e duas
filhas, que ia mudar para Ponta Porã, teve de continuar em Campo Grande.

O juiz só vai para casa a cada 15 dias, com seguranças. Oliveira teve de
abrir mão dos restaurantes e almoça um marmitex, comprado em locais
estratégicos, porque o juiz já foi ameaçado de envenenamento.

O jantar é feito ali mesmo. Entre um processo e outro, toma um suco ou come
uma fruta. “Sozinho, não me arrisco a sair nem na calçada.”

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Uma sala de audiências virou dormitório, com três beliches e televisão.

Quando o juiz precisa cortar o cabelo, veste colete à prova de bala e sai
com a escolta. “Estou aqui há um ano e nem conheço a cidade.” Na última ida
a um shopping, foi abordado por um traficante. Os agentes tiveram de
intervir.

Hora extra. Azar do tráfico que o juiz tenha de ficar recluso.

Acostumado a deitar cedo e levantar de madrugada, ele preenche o tempo com
trabalho. De seu “bunker”, auxiliado por funcionários que trabalham até alta
noite, vai disparando sentenças. Como a que condenou o mega traficante
Erineu Domingos Soligo, o Pingo, a 26 anos e 4 meses de reclusão, mais multa
de R$ 285 mil e o confisco de R$ 2,4 milhões

resultantes de lavagem de dinheiro, além da perda de duas fazendas, dois
terrenos e todo o gado. Carlos Pavão Espíndola foi condenado a 10 anos de
prisão e multa de R$ 28,6 mil.

Os irmãos , condenados respectivamente a 21
anos de reclusão e multa de R$78,5 mil e 16 anos de reclusão, mais multa de
R$56 mil, perderam três fazendas.

O mega traficante Carlos Alberto da Silva Duro pegou 11 anos, multa de R$
82,3 mil e perdeu R$ 733 mil, três terrenos e uma caminhonete. Aldo José
Marques Brandão pegou 27 anos, mais multa de R$ 272 mil, e teve confiscados
R$ 875 mil e uma fazenda.

dda8f921-a460-4560-81db-159c9b19e736_juizoliveira.JPGDoze réus foram extraditados do Paraguai a pedido do juiz, inclusive o “rei
da soja” no país vizinho, Odacir Antonio Dametto, e Sandro Mendonça do
Nascimento,
braço direito do traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho
Beira-Mar.
“As autoridades paraguaias passaram a colaborar porque estão vendo os
criminosos serem condenados.” O juiz não se intimida com as ameaças e não se
rende a apelos da família, que quer vê-lo longe desse barril de pólvora.
Ele é titular de uma vara em Campo Grande e poderia ser transferido, mas
acha “dever de ofício” enfrentar o narcotráfico. “Quem traz mais danos à
sociedade é mega traficante.
Não posso ignorar isso e prender só mulas (pequenos traficantes) em troca de
dormir tranqüilo e andar sem segurança.”

Fonte: Recebido por E-mail da Mariana Souza

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 - Esse aí merece todo o respeito “patônico”! Parabéns, tiozinho! Você é o cara… E falo aos demais blogueiros: Divulguem a atitude desse cara. Vamos transformar isso num “hype do bem”.

Posted by: Pato_Loko


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